Informe sobre o cámbio do nome do concelho da Ribeira de Piquín

O Seminario de Onomástica da Real Academia Galega decidiu mudar a denominação do concelho de Ribeira de Piquín, até agora vigente, que passará a denominar-se A Ribeira de Piquín na nova versão do Nomenclátor da Galiza. A investigação sobre este topónimo abriu-se oficiosamente após os membros do Seminário comprovarem o uso da forma com artigo entre a população local.

A Ribeira de Piquín é um concelho relativamente recente: foi constituído a 6 de maio de 1933 depois de as paróquias de Santalla, Navallos e San Xurxo de Piquín se separarem do município ao qual até então pertenciam, Meira. A elas juntar-se-iam mais tarde as outras duas freguesias que formam o concelho, Os Vaos (pertencente à Fonsagrada) e Santiago de Acevo. 

O nome com que nasceu o concelho foi tomado de uma demarcação geográfica tradicional. A Ribeira de Piquín servia para denominar a parte das Terras de Burón situada nas margens do rio Eo. Com esse significado aparece numa das poucas atestações que temos do topónimo na documentação antiga, o tomo XVIII da obra España Sagrada. Theatro geográfico histórico de la Iglesia de España, titulado De las iglesias Britoniense y dumiense incluidas en el actual de Mondoñedo, escrito por frei Henrique Flórez e publicado em 1764. Nela menciona-se “la Ribera de Piquín”, com artigo castelhanizado, na descrição da parte ocidental do curso do rio Eo. 

España sagrada

España Sagrada. Theatro geográfico histórico de la Iglesia de España, titulado De las iglesias Britoniense y dumiense incluidas en el actual de Mondoñedo

É particularmente revelador para repor o artigo neste topónimo o acordo do Município de Meira no qual se aprova o nascimento do novo concelho e a sua denominação oficial. Na exposição dos motivos que levaram a solicitar a segregação das três paróquias e a constituição de uma nova entidade, os proponentes alegaram que o concelho de Meira era formado por duas “comarcas essencialmente diferentes” separadas pela serra de Meira, uma barreira natural “sin vías que pongan en comunicación a la Ribeira de Piquín” com a capital municipal. 

BOP

Boletín Oficial da Provincia de Lugo do 30 de maio de 1933

Mais importante é o ponto c) do texto, que pode ser consultado no Boletim Oficial da Província de Lugo de 30 de maio de 1933, pois nele se afirma “que el nuevo Ayuntamiento se denominará De la Ribera de Piquín”, denominação que inclui o artigo. 

BOP

Boletín Oficial da Provincia de Lugo do 30 de maio de 1933

Assim, o artigo que agora se repõe esteve presente desde o momento da criação deste concelho, A Ribeira de Piquín. Desconhece-se o motivo pelo qual acabou por não figurar na versão oficializada na *Gaceta de Madrid* de 9 de julho de 1933, onde além disso aparece como Rivera de Piquín (sic).

Gaceta de Madrid

Gaceta de Madrid número 190 do 9 de xullo de 1933

A defesa da inclusão do artigo na denominação oficial do concelho da Ribeira de Piquín é também apoiada pelo uso oral na vizinhança deste concelho lucense, constatado em múltiplas conversas com a população local realizadas pelo técnico de campo do Projeto Toponímia da Galiza que recolheu a microtoponímia deste concelho, o qual salientou nos seus relatórios o uso generalizado do artigo nas aldeias onde realizou o trabalho de campo. O uso oral fica igualmente registado numa das quadras populares compiladas pela musicóloga Dorothé Schubarth na sua vasta obra *Cancioneiro popular galego*:

A Ribeira de Piquín,
ribeira de muita fame,
 o pouco leite que collen
derrámano con filame.

Com estas provas, o Seminário de Onomástica da Real Academia Galega tomou a decisão unânime de modificar a denominação oficial deste concelho acrescentando-lhe o artigo, A Ribeira de Piquín.

FONTES E BIBLIOGRAFIA

Boletín Oficial da Provincia de Lugo número 123 do 30 de maio de 1933

Flórez, Henrique (1764). “De las iglesias Britoniense y dumiense incluidas en el actual de Mondoñedo”. España Sagrada. Theatro geográfico histórico de la Iglesia de España, XVIII.

Gaceta de Madrid número 190 do 9 de xullo de 1933.

Amor Meilán, M. (1928?). *Geografía general del Reino de Galicia*. Lugo. Barcelona: Alberto Martí.
 

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