Informe sobre o cámbio do nome do concelho de Pastoriza

O Seminário de Onomástica da Real Academia Galega decidiu modificar a denominação oficial do município lucense da Pastoriza, vigente até à atualidade, que passará a chamar-se oficialmente Pastoriza, em consonância com a documentação histórica do topónimo e com o uso vivo na fala da população local. Fê-lo devido a várias reclamações populares que chegaram ao Seminário, entre elas a do próprio presidente da câmara deste município.

Pastoriza é um topónimo relativamente frequente no país: além do lugar, freguesia e município lucense, existem outras quinze entidades de povoação assim denominadas ou que incluem este termo, bem como uma freguesia no município de Arteixo, na Corunha. Há consenso na investigação toponímica em relacionar este topónimo com o étimo PASTORICIAM, ‘pasteiro’, adjetivo derivado do termo latino PASTUM, particípio do verbo PACERE ‘pacer’. Importa salientar, além disso, que todas as entidades de povoação com este nome figuram no Nomenclátor da Galiza sem artigo, Pastoriza.

O município de Pastoriza nasceu após a reforma da divisão judicial e municipal da província de Lugo, publicada no BOP de 18 de outubro de 1840. A denominação oficial com que surgiu, sem artigo, manteve-se até finais do século XX, altura em que mudou para a forma vigente até hoje, A Pastoriza. Porém, os membros do Seminário de Onomástica da RAG sustentam que esta mudança não esteve apoiada num uso real na fala nem tampouco na documentação histórica do topónimo.

Assim, na documentação medieval sobre o lugar e sobre a freguesia de San Salvador de Pastoriza, o topónimo aparece sem artigo inicial, como se pode comprovar no Tesouro Informatizado da Lingua Galega ou no Gallaeciae Monumenta Historica:

A mesma solução sem artigo encontra-se também em documentos dos séculos seguintes, como nas comprovações do Cadastro de Ensenada ou no dicionário de José Villarroel de 1810.

Ensenada Pastoriza

36 Interrogatório do Cadastro de Ensenada da freguesia de San Salvador de Pastoriza. Fonte: PARES

Villarroel

37 Diccionario nomenclator de las ciudades, villas, aldeas, caserías [sic], cotos, ventas, castillos, prioratos de todo el Reyno de Galicia de José Villarroe

Como se pôde comprovar através de diferentes chamadas telefónicas e conversas com os habitantes deste município, o uso vigente na população local e na zona continua a ser sem artigo. Este uso oral é corroborado pelas múltiplas ocorrências do topónimo na imprensa escrita dos séculos XIX e XX, bem como em textos literários e ensaísticos galegos anteriores à modificação do nome oficial do município, onde o uso é praticamente sempre sem artigo, como se pode verificar nas buscas no Tesouro Informatizado da Lingua Galega.

Por estes motivos, o Seminário de Onomástica da Real Academia Galega ditaminou por unanimidade a forma Pastoriza para o nome da sede municipal, da freguesia e do município.

FONTES E BIBLIOGRAFÍA

Álvarez Blanco, Rosario (coord.): Gallaeciae Monumenta Historica. Santiago de Compostela: Consello da Cultura Galega. <https://gmh.consellodacultura.gal

Boletín Oficial de la Provincia de Lugo núm 84 do 18 de outubro de 1840 <http://biblioteca.galiciana.gal/es/catalogo_imagenes/grupo.do?path=1351014&presentacion=pagina&posicion=3&registrardownload=0

Santamarina, Antón (dir.) / Ernesto González Seoane / María Álvarez de la Granja: Tesouro Informatizado da Lingua Galega (Versão 4.1). Santiago de Compostela: Instituto da Lingua Galega. <http://ilg.usc.gal/TILG/>

Varela Barreiro, Xavier (dir.) (2004-). Tesouro Medieval Informatizado da Lingua Galega. Santiago de Compostela: Instituto da Lingua Galega. <http://ilg.usc.es/tmilg>

Villarroel Pérez de Baños, José (1810). Diccionario nomenclator de las ciudades, villas, aldeas, caserías [sic], cotos, ventas, castillos, prioratos de todo el Reyno de Galicia. Santiago de Compostela: Juan Francisco Montero.

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