Como costuma acontecer com os topónimos únicos ou com pouca representação no Nomenclátor, a origem e o significado de Mirallos são também obscuros e controversos. Até Joseph Piel, um dos estudiosos mais destacados da toponímia galego-portuguesa, não conseguiu encontrar uma explicação nem propor qualquer étimo quando investigou a toponímia de A Fonsagrada, onde existe um lugar com este nome na freguesia de Vilabol de Suarna. Para além deste, há outras 3 aldeias galegas que partilham este topónimo nos municípios de Paradela, A Peroxa e San Cristovo de Cea.
Em contrapartida, outros autores atreveram-se a avançar com a sua tese, com maior ou menor fortuna. O académico correspondente e erudito da onomástica lucense, Nicandro Ares, relacionou-o com um antropónimo visigótico latinizado como MIRALDUS, analisado por Joseph Piel noutra das suas obras essenciais, Hispano-gotisches Namenbuch. Este apresentaria a raiz gótica mereis ‘famoso’, com numerosos descendentes toponímicos no nosso território. Segundo Nicandro Ares, a passagem de MIRALDUS para Mirallos explica-se, no seu entender, por uma palatalização do grupo consonântico <ld> que ocorre noutros antropotopónimos, como GUNTILDI > Gontelle; contudo, esta hipótese depara-se com um obstáculo evidente: a forma Mirallos exigiria que derivasse de um acusativo *Miraldos para que se produzisse a palatalização.
Perante este inconveniente, é necessário procurar outra explicação que lance luz sobre Mirallos. Abelardo Moralejo Lasso incluiu-o num amplo grupo de topónimos formados com o verbo ‘mirar’ e que deveriam ter um significado semelhante a ‘miradouro’, mas não menciona explicitamente o seu étimo; fazem-no, porém, outros estudiosos da nossa toponímia, como Alberto Díaz Fuente ou Gonzalo Navaza, que propõem o latim MIRACULOS, um derivado do verbo MIRARE que faria referência a um ‘lugar com boas vistas’.
Por último, não podemos excluir que este nome de lugar tenha uma origem mais antiga, pré-romana. Deste modo, poderia tratar-se de um hidrónimo que contenha a raiz indo-europeia *MAR- / *MER-/ *MIR- ‘água mansa, água estagnada’, presente em topónimos desta mesma origem como Mira, Meira, Trasmiras..., e de que fala Luz Méndez recentemente num vídeo de O Seminario de Onomástica responde a propósito do topónimo Miranda.
Poucos municípios galegos estão tão marcados pela paisagem como as terras de Quiroga. Está enquadrado, a norte, pelas…
No ano de 1219, o rei Afonso VIII acede a uma “instantiam et petitionem habitanorum”, isto é, a uma…