Riodama, un tautotopónimo de Poio

As tautologias, ou seja, a repetição de uma mesma ideia expressa de diferentes formas, são um fenómeno muito interessante que nos diz muito sobre a evolução das línguas ao longo da história. Como sabemos, o galego é uma língua proveniente do latim que evoluiu no noroeste da Península Ibérica sobre um conjunto de línguas de substrato pré-romano. Antes de desaparecerem, essas línguas deixaram a sua marca no latim da Gallaecia e, sobretudo, nos nomes do território.

Muitos dos topónimos hoje comuns têm séculos de existência e são anteriores à chegada do latim. Na sua época, o significado destes nomes era reconhecível para os habitantes do território, tal como hoje reconhecemos lugares chamados A Carballeira, O Outeiro, A Igrexa ou O Castro. No entanto, com o passar dos séculos, as pessoas que viviam no mesmo território, já falantes de uma língua diferente, perderam a consciência do significado de alguns nomes de lugar, que se tornam opacos. Este é o cenário propício para a ocorrência de tautologias: os falantes introduzem um nome explicativo, geralmente um genérico como monte, pedra, rio... que repete o significado do topónimo.

Há tautologias bem conhecidas no mundo e outras que passam despercebidas: Riodama, lugar da freguesia de Samieira, no concelho de Poio, é um exemplo destes tautotopónimos. Riodama é um composto toponímico formado por três elementos: Rio + de + Ama. O primeiro elemento é bem conhecido: o substantivo rio ‘curso natural e permanente de água doce, que flui por um leito e desagua no mar, num lago ou noutro rio’. Provém de uma forma do latim vulgar *RIU, variante do latim clássico RIVUM, que originalmente significava ‘ribeiro’, mas que no nosso território também acabou por assumir o significado do latim FLUMEM.

A tautologia deste topónimo explica-se pelo seu terceiro elemento, Ama, um topónimo de origem pré-romana formado a partir do conhecido radical hidronímico indo-europeu *AM- ‘canal’, estudado por Edelmiro Bascuas e Elixio Rivas. Outro topónimo galego que inclui esta raiz é Acea de Ama, lugar do concelho corunhês de Culleredo que foi objeto de um amplo estudo do académico Gonzalo Navaza.

 

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