O Seminario de Onomástica da Real Academia Galega determinou alterar o nome oficial do concelho de Cangas, vigente até agora, que passará a denominar-se Cangas de Morrazo na próxima versão do Nomenclátor. Fê-lo de ofício ao se aperceberem vários membros do Seminário de que, na documentação histórica, aparecia com um nome composto e também era usado com esta forma pela população da zona.
O nome oficial com que figurou em todos os censos de população e nomenclátores oficiais até à atualidade foi Cangas, desde a sua constituição através da Real Ordem de 8 de fevereiro de 1837, na qual se publicava a nova planta dos concelhos constitucionais da província de Pontevedra:

Boletim Oficial da Província de Pontevedra de 25 de fevereiro de 1837
Além disso, a forma composta Cangas de/do Morrazo goza de forte presença, especialmente com artigo, nos usos orais da população da zona e nos textos escritos modernos. Esta forma é herdeira da denominação da antiga jurisdição a que pertencia o território, Terra de Morrazo, atestada em documentos da Idade Média sem artigo, como se pode comprovar nas pesquisas realizadas no Tesouro Informatizado da Língua Galega:
- “Item en terra de Morraço, a meadade da jgleja de Santa Maria de Çella”, 1390
- “morador ẽna fiigresia de San Johan de Tirana que he en terra de Morraço”, 1434
Anteriormente, o topónimo aparece mencionado em documentos dos séculos XIII e XIV, também sem artigo:
- “ygreias que ſon en Morraço deſ Meira atra Ponte Uedra”, 1299
- “Domingo Perez, notario jurado de Morraço”, 1317
- “mando a a hermida (...) de morraço”, 1347
Também aparece incluído em cadeias onomásticas dos séculos XIV, XV e XVI, todas elas sem artigo: “Martín Peres de Morraço” (1307); “Johán de Morraço, alfaiate, morador em Pontevedra” (1388); “Men González de Morrazo, cardeal de Santiago” (1489)...
A antiga jurisdição, Terra de Morrazo, e também o nome da vila continuaram a aparecer sem artigo em textos em castelhano dos séculos seguintes:

Apeos, bens e rendas do mosteiro em terra de Morrazo perante os tabeliães Esteban Fernández e Jerónimo de Chaves, 1615–1616. Fonte: PARES

Autos executivos realizados em virtude da executória do Coto de Vilela e do Casal de Otero e Fondevilla, 1756. Fonte: PARES
Por estes motivos, os membros do Seminário de Onomástica concluíram que a forma com artigo é inovadora por influência do castelhano, pelo que determinaram por unanimidade a forma histórica e bem documentada Cangas de Morrazo para o nome da vila, da paróquia e do concelho.
FONTES DOCUMENTAIS E BIBLIOGRAFIA
Álvarez Blanco, Rosario (coord). Gallaeciae Monumenta Historica. Santiago de Compostela: Consello da Cultura Galega. <https://gmh.consellodacultura.gal/>
Boletín Oficial da Província de Pontevedra. <https://atopo.depo.gal/>
PARES, Portal de Archivos Espanoles. <https://pares.cultura.gob.es/inicio.html>
Varela Barreiro, Xavier (dir.) (2004-). Tesouro Medieval Informatizado da Lingua Galega. Santiago de Compostela: Instituto da Língua Galega. <http://ilg.usc.es/tmilg>
O Seminário de Onomástica da Real Academia Galega ditaminou mudar a denominação oficial do concelho de Castro Caldelas, vigente…
O Seminário de Onomástica da Real Academia Galega decidiu modificar a denominação oficial do município lucense da Pastoriza,…