Oleiros, o concelho onde se não encontrares o Nirvana podes ir para a Babilónia

Oleiros destaca-se hoje por ser o município do país com maior renda per capita. Mas a sua riqueza vai além do pecuniário: a sua geografia, além de a situar numa posição privilegiada na região das Mariñas face ao mar, está repleta de lugares com topónimos únicos em toda a Galiza e, sobretudo, curiosos. Dois deles nos levam a um passado glorioso ou nos conduzem a uma felicidade extrema: Babilonia e A Nirvana

Babilónia era uma cidade antiga na baixa Mesopotâmia, um centro de comércio, arte e conhecimento, um 'portão dos deuses', de acordo com o significado do topónimo sumério original. Mas Babilonia, é também uma pequena localidade da freguesia de Liáns, que, além do nome, partilha uma característica com a capital da Mesopotámia: ambas estão agora despovoadas.  

Pouco sabemos sobre a origem do nome A Babilonia de Liáns, além da teoria que o liga, como topónimo replicante, à Babilónia histórica. Ora bem, por qual motivo? Cabeza Quiles, na sua Toponimia de Galicia, arriscou a hipótese de que este nome estaria associado a uma lenda de uma cidade inundada da mesma forma que "Antioquia, a cidade maldita que não teme a Deus, que segundo a tradição, jaz inundada sob as águas de vários lagos da Galiza". Outra hipótese que descobrimos a partir da série documental "Os nomes da nossa terra" da Associação Sócio-Pedagógica Galega, relaciona o nome A Babilonia com a teima que tinha um pároco da paróquia: segundo esta teoria, o pároco decidiu chamar a área assim porque era delimitada entre dois rios, como a Babilónia original que ficava entre o Tigre e o Eufrates. Não podemos descartar que o nome seja de origem humorística, retirado da cultura bíblica eclesiástica. 

Mas, se é muito curioso o facto de termos encontrado uma Babilónia em Oleiros, não é menos o facto de atingirmos aquele estado de felicidade suprema que é o nirvana na crença budista. A Nirvana não aparece no Nomenclátor de Galicia, mas refere-se a uma zona situada perto da praia do Bastiagueiro Pequeno, onde existe um Miradouro da Nirvana e um Parque da Nirvana.  

Ao contrário do topónimo A Babilonia, neste caso documentamos a sua origem: em 1959, uma iniciativa privada quis criar uma "colónia de veraneio" que foi vendida na imprensa como um “enclave privilexiado por estar situada entre a estrada e o mar, con cantís naturais, un frondoso arboredo, magníficos accesos e punta avanzada entre as concorridas praias de Santa Cristina e Bastiagueiro”. O nome da colónia, que aparecia em cartazes publicitários onde eram vendidos imóveis de 1 000 m2, acabou batizando a área como A Nirvana

Uma última curiosidade: para ir da Corunha à Babilónia, é preciso chegar primeiro à Nirvana, mas não no sentido figurado, mas no sentido geográfico.

 

 
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