Três topónimos de Triacastela

Embora a segunda parte do topónimo Triacastela possa levar-nos a pensar na antiga presença de três castelos no território, sabe-se que a forma latina CASTELLA é o plural neutro de CASTELLUM, derivado de CASTRO, 'castelo, campamento, castro'. Portanto, refere-se à existência de 'três pequenos castros neste território', cuja origem já está documentada num documento do mosteiro de Samos do ano 922. Triacastela foi um dos topónimos que Vicente Feijoo explicou 1 de outubro de 2021 na palestra “Toponimízate. Falámosche dos nomes da túa terra”. Outros foram os seguintes:

Toldaos, a vila da gente de Toledo

Além de em Triacastela, Toldaos é uma freguesia e localidade de Pantón, Láncara e O Incio. Tradicionalmente aceita-se a tese de que todos esses Toldos sejam um topónimo de transferência: com o avanço dos árabes da península, um grupo de habitantes da cidade de Toledo acabou por fugir para o norte. Os lugares onde acabariam por se instalar receberiam o nome do seu gentilicio, TOLETANUS, que daria Toldaos pela perda do pretónico, o que impediria o desaparecimento do -l- intervocálico, como explica Fernando Cabeza Quiles na sua Toponimia de Galicia.

Uma fonte de água perene

Precisamente na freguesia de Toldaos encontra-se outro dos topónimos que mais despertou interesse na palestra Toponimízate de Triacastela, Fompernal. É um topónimo único em todo o Nomenclátor da Galiza que, à primeira vista, não é transparente. Provém do latim FONTE PERENNALE, indica a presença no local de uma nascente que nunca seca, ou seja, com água perene, propriedade que deve caracterizar a nascente localizada perto de Santalla em Triacastela, e também chamada de Fonte Fompernal. No concelho de Noia encontramos um parente muito próximo deste topónimo, Fonte Pernal, com o mesmo significado.

A caça ao lobo na toponímia de Triacastela

À semelhança do Fompernal, outro topónimo único do Nomenclátor que só aparece em Triacastela é Fillobal, localidade da freguesia de Vilavella. O nome deriva de FOVEUM LUPALE e indica a presença no local de um fojo (FOVEUM) ou armadilha de caça ao lobo (LUPUS). De facto, um dos participantes da palestra Toponímizate lembrou a existência das paredes deste "foio", como se pronuncia na variante linguística da zona.

 

 

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