Valdanta e Fornelos, dois topónimos de O Bolo mais semelhantes do que parecem

Fornelos e Valdanta são duas das 18 freguesias que atualmente formam o concello de O Bolo. Aparentemente, seria esta a única ligação entre elas, pois parecem nomes com uma origem totalmente diferente; no entanto, já comentámos noutros artigos desta página que é necessário sermos cautelosos com as aparências formais na toponímia, pois podem induzir-nos em erro.

Valdanta é um topónimo totalmente transparente: é formado pela aglutinação de três elementos reconhecíveis do galego comum. O primeiro deles é Val, proveniente do latim VALLEM, onde já tinha o significado do substantivo do galego comum val ‘depressão do terreno entre montanhas por onde corre ou correu um curso de água’ e, por extensão, ‘bacia de um rio’. Como topónimo, tem uma ampla representação no Nomenclátor: com ou sem artigo, dá nome a 40 lugares; além disso, no território galego registam-se múltiplos derivados (Valiño, Valín, Vales), compostos (Valbón, Valboa...) e sintagmas toponímicos, como este de Valdanta. 

O segundo substantivo coincide também com outra palavra do galego comum: anta. Proveniente do termo latino ANTAM, é utilizado para designar uma ‘pedra grande cravada no solo, em particular as utilizadas para fechar um terreno ou para sustentar um muro’. Por extensão, também tem os significados de ‘laje de um monumento megalítico’. A partir desta segunda aceção, desenvolveu-se o significado toponímico de ‘dólmen’ ou ‘menir’ através de um processo de metonímia, isto é, designar um conjunto por um dos seus elementos. Os dois substantivos que formam este topónimo, val e anta, estão unidos pelo nexo prepositivo de, com perda do -e final, um fenómeno muito comum na língua oral e na toponímia. Em conclusão, Valdanta faria referência à bacia de um curso fluvial que na cartografia aparece denominado Regueiro de Paradela, onde deverá ter existido um menir ou dólmen.

Como dissemos nas primeiras linhas deste artigo, aparentemente pouco teria a ver com Fornelos se tivermos apenas em conta o significado que nos oferece o Dicionario da Real Academia Galega para a palavra do léxico comum fornelo ‘pequeno forno ou fogão, geralmente portátil’. Trata-se, portanto, de um derivado do termo latino FORNUS com o sufixo diminutivo latino -ELLUS. Ora, é geralmente aceite que, no âmbito da toponímia, os lugares chamados Fornelos fazem referência a ‘cavidades no terreno’ ou, mais precisamente, “à existência de mámoas com as suas correspondentes antas ou dólmenes, túmulos de pedra do período megalítico”. Assim se encontra registado na obra Toponimia de Zas, publicada na coleção Terra Nomeada da Real Academia Galega e da autoria de Xosé María Lema Suárez. Para chegar a este significado a partir do significado geral, ter-se-ia produzido um processo metafórico através do qual a câmara funerária própria das mámoas foi interpretada, pela sua aparência, como um forno. 

Tendo em conta o significado dos dois topónimos e as realidades que identificariam, Valdanta e Fornelos partilhariam uma mesma motivação, através de palavras diferentes para se referirem a um mesmo elemento arqueológico: um dólmen. 
 

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