Anllóns e Anllo: quando um rio forma ângulos

Anllóns é o nome de uma das correntes fluviais mais conhecidas da Galiza e o principal rio da região de Bergantiños. Nascido no Monte Xalo, percorre os municípios da Coruña Laracha, Carballo, Coristanco, Cabana de Bergantiños e Ponteceso, onde chega ao Atlântico pouco depois de ter passado pela terra natal do nosso bardo Eduardo Pondal.

É neste último município, Ponteceso, onde dá o seu nome às únicas ocorrências que temos no Nomenclátor da Galiza do topónimo, a freguesia de Anllóns e até três localidades, Anllóns de Arriba, Anllóns de Tras dos Agros e Anllóns Grande. Mas é também nesta freguesia e nos confins de Tella, A Graña, Cospindo e Cesullas, esta última no concelho de Cabana de Bergantiños, onde aparece o elemento que define o rio e até o seu nome: os meandros.

Estas revoltas características da reta final do curso fluvial são o que, na opinião de Moralejo em Toponímia galllega y leonesa, e outros investigadores, estão por trás do topónimo Anllóns a partir de uma base latina ANGULONES, derivado do substantivo ANGULU ao qual foi acrescentado o sufixo aumentativo -ONES. Portanto, o Anllóns seria o rio dos grandes ângulos ou meandros.

Esta forma latina ANGULU, além disso, "também aparece na nossa documentação medieval inicial em contextos lexicais semelhantes e que nos permite atribuir-lhe significados que agora se perdem na linguagem comum, tais como 'meandro, curva de um rio' ou mesmo 'ponto onde dois, ou mais cursos de água convergem'", de acordo com Martinez Lema. Assim, de ANGULU derivariam outros topónimos como Anllo, nome de três freguesias da Galiza nos concelhos de Santo Amaro e Sober (Anllo e San Martiño de Anllo) e quatro localidades nos concelhos de Carballedo, A Pastoriza, San Amaro e San Cristovo de Cea, para além de Anllo Pequeno, O Campo de Anllo e Pacios de Anllo, na freguesia de Anllo no município de Sober, onde convergem os rios Sil e Cabe.

 

 

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