Cervo: onde há mais água do que veados

“De sinople un cervo de ouro, vilenado de goles; xefe de azur cunha estrela de ouro flanqueada de dúas áncoras de prata. Ao timbre, coroa real pechada”. É assim que o Diario Oficial da Galiza descreve, com o léxico da heráldica, o brasão do conselho de marinha de Cervo. Não poderia faltar o veado que na crença popular dá origem ao nome do município. Mas será assim?

O topónimo Cervo parece estar relacionado com outros topónimos galegos (Cervantes, Cervaña, Cérvora, etc.) que aparentemente pertencem à família lexical do animal ruminante. Porém, os sufixos que vimos nos exemplos anteriores têm uma componente pré-romana, pelo que nos fazem duvidar da sua relação lexical com o referido animal.

A presença de formas semelhantes em cursos fluviais, como o rio Cerves, levou a vincular esses topónimos a uma raiz pré-latina com um significado relativo à água.

O de Cervo é, portanto, mais um exemplo de etimologia popular, como já vimos em O Valadouro, que neste caso acabou com um "vinil de goles" no escudo de Cervo, de que faz parte desde pelo menos o século XIX.

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