O projeto educativo “Ao son da oralidade. O noso Patrimonio” do IES do Milladoiro

“Ao son da oralidade. O noso patrimonio" é o nome do projeto educativo (no âmbito do Plano Proxecta) desenvolvido pela EDLG do IES do Milladoiro no ano letivo 2020-21 para trabalhar com o património material e imaterial do concelho de Ames. O projeto assenta em três eixos principais: oralidade, vestígios arqueológicos e toponímia (especialmente o relacionado com a passagem por este concelho do Caminho de Santiago, especificamente o Caminho Português).

Este estabelecimento de ensino tem a particularidade de receber alunos de diferentes partes do mundo e de diferentes culturas. Assim, o projeto nasceu com o objetivo principal de articular pontos de encontro culturais através do conhecimento e valorização do património do meio ambiente, utilizando-o como motor e dinamizador sociocultural.

Para isso, em colaboração com a Câmara Municipal de Ames e a ANPA do centro, os professores do IES do Milladoiro, integrantes do Plano Proxecta, organizaram uma conferência (23 e 24 de março) na Casa de Cultura do Milladoiro para que os alunos pudessem falar com os profissionais que atuam nas três linhas de investigação do projeto. Assim, Luis Leclere (membro do coletivo A Rula) falou com eles sobre os petróglifos de Ames; Xosé Ramón López Boullón (autor do livro Toponimia de Ames) e Vicente Feijoo Ares (coordenador técnico de Galicia Nomeada) falaram sobre toponímia; sobre oralidade falaram Vero Rilo (educadora e narradora oral) e Marcos PTT (ator e diretor de teatro) com uma oficina de roteiros emocionais; por último, Bieito Pérez Outeiriño (funcionário do corpo docente dos Conservadores dos Museus do Estado) falou sobre o património cultural, em geral.

Após estas jornadas de formação e diálogo, os alunos e professores participantes no projeto puseram-se a trabalhar a todo o tempo e, como resultado deste esforço conjunto, realizaram uma publicação em versão papel e digital em que se recolhem os objetivos do projeto pedagógico; a visão pessoal dos alunos quanto aos relatórios das jornadas; o trabalho de investigação realizado por eles de forma colaborativa; e, por fim, experiências com a oralidade na perspetiva das emoções. O livro tem o mesmo título do projeto, "Ao son da oralidade. O noso patrimonio", e nele estão os nomes de todas as pessoas que participam neste enriquecedor projeto, não só a nível académico, mas também pessoalmente.

Centrando-nos na toponímia, devemos destacar três projetos de investigação. O primeiro, realizado pelos alunos de reforço, diz respeito à relação entre a toponímia e os petróglifos do concelho de Ames, realizando uma viagem virtual por alguns dos sítios existentes em cada freguesia e terminando com um saboroso lanche de fraternidade. As outras duas foram investigações realizadas em salas de aula de português, por alunos matriculados nesta disciplina no 2.º nível do ESO. Esta é uma comparação entre a toponímia portuguesa e galega localizada no Caminho Português a Santiago de Compostela. Uma escolha acertada desde o nível didático e tendo em conta que estamos no Ano Jacobeu. Num dos casos partiram dos topónimos do Caminho Português do Porto a Valença e procuraram as correspondências com os topónimos galegos. No outro artigo, o estudo foi feito no sentido inverso, partindo do troço do Caminho Português que passa por Ames, com o qual já trabalharam no ano passado, e investigavam as coincidências com os topónimos do país vizinho.

Do projeto Galicia Nomeada felicitamos alunos e professores por este magnífico trabalho de fraternidade cultural através do património; convidamo-los a continuarem a trabalhar com a toponímia não só do concelho de Ames, mas também dos concelhos de origem das famílias dos meninos e meninas que estudam neste instituto; e esperamos que esta experiência sirva de inspiração para outros estabelecimentos de ensino.

 

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  • Alumnado 2º F do IES do Milladoiro
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