A microtoponímia protagoniza “Os Contos de Castelo”
Os “Contos de Castelo” são um espaço de encontro onde a vizinhança das aldeias desta freguesia de Culleredo se reúne para celebrar, no âmbito do Festival Castelo Conta, a oralidade como ferramenta para guardar e transmitir a nossa memória; e também, claro, os nomes da terra.
Na terça-feira, 26 de agosto, a aldeia de Vilaverde acolheu uma destas conversas onde o importante era falar, ouvir e partilhar recordações e memória. O espaço foi conduzido pelo guionista Óscar Cruz e contou com a presença do multifacetado Xosé A. Touriñán, criador do festival, e também do ator Tone Martínez, que se dedicaram a recolher as histórias, anedotas e recordações que quiseram contar as pessoas presentes.
No decorrer do encontro, conduzido à maneira de um programa televisivo, subiu ao palco Iván Méndez López, técnico do Seminário de Onomástica da Real Academia Galega. Fê-lo a convite da organização para apresentar o projeto de recolha toponímica que foi realizado no âmbito do festival e do qual demos notícia há alguns dias nesta página. Na sua intervenção houve palavras de agradecimento tanto para o festival por organizar as proveitosas caminhadas toponímicas como para a vizinhança das aldeias de Vilaverde, Folgueira, Xián, Castelo de Abaixo, Xalo e Donepedre, que se envolveram desde o primeiro momento no projeto. De facto, muitas das pessoas que participaram nas recolhas toponímicas estiveram presentes no ato e intervieram para contar histórias e recordações em torno da toponímia que foram surgindo na conversa: Maspete, A Corredoira da Cega, O Marco das Salgueiras, A Vella Morta...
Iván Méndez quis também salientar que os mais de 350 topónimos recolhidos durante a semana de 11 de agosto estão já disponíveis na plataforma Galicia Nomeada. Além disso, convidou todas as pessoas presentes a juntarem-se ao projeto para completar, entre todos, o mapa coletivo da sua freguesia e continuar assim a transmissão geracional dos seus nomes de lugar. Algumas pessoas de outras freguesias de Culleredo que assistiram ao evento e até de concelhos vizinhos como Cerceda ou Carral mostraram interesse em reproduzir o trabalho nos seus locais de origem.
Após a apresentação, Óscar Cruz e Iván Méndez testaram o conhecimento do público da sua freguesia com um jogo feito para a ocasião no qual, através de imagens e fotografias, procuravam dar nome aos espaços de Castelo.
Mais uma vez, queremos agradecer o interesse demonstrado pelos organizadores de Castelo Conta, em especial a Xosé A. Touriñán como criador do festival, por programar esta atividade e ser um modelo de referência para todas as festas paroquiais do país; e também a implicação de toda a vizinhança de Castelo tanto nas caminhadas como no ato de ontem.